sábado, 9 de março de 2013

Como Evitar Falácias



Como Evitar Falácias

Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência a vossa! (...)

A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora...
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil, frágil como o vidro
e mais que o aço poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam..
Cecília Meireles -
Romanceiro da Inconfidência

1. Introdução

Cuidado com as palavras! Cuidado com o que você ouve, lê ou escreve. Você não deve acreditar em tudo o que ouve ou lê. Você deve ter habilidade para lidar com discursos, com textos, com o que lhe dizem, com argumentos que lhe apresentam nos debates do dia-a-dia. Deve distinguir o que o vulgo confunde. Deve ter critérios para aceitar ou rejeitar enunciados, argumentos, declarações feitas. Muitas carecem de fundamentação.

São ardilosas. Enganadoras. Fraudulentas. Falsas. Falaciosas.

Como você reagiria, por exemplo, aos enunciados abaixo? Quais você aceitaria? Como você argumentaria para rejeitar os que devem ser rejeitados? Tente.
  1. Se eu abrir uma exceção para você, deveria abrir também para João. Se abrir para João, devo abrir para André. E para Marcos também. Depois para Maria, Madalena, etc.
  2. Você deve votar de acordo com o partido! Ou será expulso!
  3. A professora chamou a atenção de Joãozinho na semana passada (duas vezes) e nesta (segunda, quarta e sexta). Não adianta mais chamar a atenção dele. Vamos suspendê-lo.
  4. Os brasileiros gostam de praia, café, carnaval e futebol.
  5. A lei que reduz o porte de armas de fogo deve ser abolida, pois, desde que entrou em vigor, a criminalidade aumentou.
  6. Os empregados são como pregos: temos que bater para que cumpram suas funções.
  7. Deve-se coibir usos como estes: "Me dá um cigarro", "eu vi ele", "tu foi", etc., porque, com essa permissividade, vamos reduzir a língua de Camões a uma falação de brutos, a uma língua pobre, de poucas palavras e alguns grunhidos.
  8. Sabia que o casal X está se separando? Mas cuidado: em briga de marido e mulher ninguém põe a colher.
  9. Aqui se faz, aqui se paga.
  10. Você confia num dentista que foi aprovado com média cinco no vestibular?
  11. É perigoso viajar em carro dirigido por mulher.
  12. Crentes, muçulmanos, são todos uns fanáticos.
  13. Os padres são pedófilos, os padres são mulherengos, os padres só pensam em dinheiro, os advogados são uns enroladores, os políticos são corruptos, os médicos uns açougueiros, os alunos são uns deitados, etc.
  14. O elo perdido entre o homem e o macaco não foi encontrado: por isso a teoria da evolução está errada e a Bíblia está certa.
  15. A ingestão de vinho faz bem.
  16. O vinho é uma bebida saudável, que faz bem ao coração. É estimulante. Assim foi reconhecido por todos os povos antigos. Inclusive o Apóstolo São Paulo recomendava vinho em suas epístolas.
  17. Tratava-se de discutir e eleger o perfil do professor ideal: ele seria autoritário ou deveria dar plena liberdade aos alunos?
  18. A egiptóloga Fulana de Tal é uma principiante, obteve o doutorado há pouco tempo, tem limitada experiência: não pode julgar um descobrimento tão importante.
  19. Não vou votar nele para presidente: ele bebe.
  20. Todo nordestino é hábil, L. é nordestino, L. é hábil - Toda pessoa hábil é bom político. Ele é hábil. Ele é bom político, - Todo bom político é bom administrador. Ele é bom político. Ele é bom administrador. - Todo bom administrador merece ser eleito. Ele é bom administrador. Ele merece ser eleito.
  21. Dez milhões de pessoas não podem estar erradas. Junte-se a nossa igreja você também.
  22. Isso é uma verdade tão sublime que um milhão de pessoas já a aceitaram como regra de fé.
  23. A Astrologia é uma arte adivinhatória praticada há milhares de anos no Oriente. Conta-se que os antigos reis da Babilônia teriam feito uso dela para saberem os dias mais propícios para as batalhas. Até os antigos imperadores chineses recorriam aos astros para guiarem seus passos no governo. É inadmissível que ainda hoje não a considerem uma ciência.
  24. Essas práticas remontam aos primeiros séculos de nossa igreja. Como você pode questioná-las?
  25. Milhares de pessoas acreditam no poder das pirâmides. Sem dúvida, elas devem ter algo especial.
  26. Os índices de analfabetismo têm aumentado muito depois do advento da televisão. Obviamente ela compromete a aprendizagem.
  27. A grande maioria das pessoas deste país são favoráveis à pena de morte como meio de reduzir a violência. Ser contra a pena de morte é, pois, ridículo.
  28. Não acredite nos linguistas: eles estão a serviço de uma ideologia de esquerda; são liberais, revolucionários e populistas.
  29. Não é preciso conhecer matemática para vencer na vida. Meus conhecimentos dessa matéria não vão além das quatro operações e das frações ordinárias; no entanto tenho um salário maior do que o de muitos engenheiros.
  30. O senhor não tem autoridade para criticar nossa política educacional, pois nunca concluiu uma faculdade.
  31. Espero que o senhor aceite o portfólio e dê uma ótima nota, pois passei cinco noites sem dormir e ainda por cima cuidando de minha avó, que está muito doente.
  32. Professor, eu preciso tirar boa nota. Se eu aparecer em casa com nota tão baixa, minha mãe pode sofrer um ataque cardíaco.
  33. Eu não votei em Lula: afinal ele nem sabe falar direito.
  34. Por que deveria eu ouvir uma ignorante como você?
Todos os enunciados acima devem ser rejeitados. São falácias. São enunciados ou tentativas de persuadir o leitor mediante em raciocínio errôneo, mediante um argumento fraudulento, enganoso.

Essas falácias, como você pode constatar, estão em todos os discursos: na publicidade, na política, nas religiões, na economia, no comércio, etc.

Falácia é, pois, todo o raciocínio aparentemente válido, mas, na realidade incorreto, que faz cair em erro ou engano.

Tradicionalmente, distinguem-se dois tipos de falácias: o paralogismo e o sofisma. O paralogismo é uma falácia cometida involuntariamente, sem má-fé; o sofisma, uma falácia cometida com plena consciência, com a intenção de enganar.

Essa distinção não é, no entanto, aceitável, pois introduz um critério exterior à lógica - a ética. Dito de outro modo, não compete à lógica apreciar as intenções de quem argumenta. Por isso, tornam-se como sinônimos os termos falácia e sofisma.

A seguir, apresentam-se os principais tipos de falácias.

2. Tipos de falácias

2.1 Apelo à Força (argumentum ad baculum)

Definição:
Consiste em ameaçar com consequências desagradáveis se não for aceita ou acatada a proposição apresentada.

Exemplo:
- Você deve se enquadrar nas novas normas do setor. Ou quer perder o emprego?
- É melhor exterminar os bandidos: você poderá ser a próxima vítima.
- Cala essa tua boca, ou não te dou o dinheiro para o show.
- Ou nós, ou a desgraça, o caos.

Contra-argumentação:
Argumente que apelar à força não é racional, não é argumento, que a emoção não tem relação com a verdade ou a falsidade da proposição.


2.2 Apelo à Misericórdia, à Piedade (argumentum ad misericordiam, ignorância de questão, fuga do assunto)

Definição:
Consiste em apelar à piedade, à misericórdia, ao estado ou virtudes do autor.

Exemplo:
Ele não pode ser condenado: é bom pai de família, contribuiu com a escola, com a igreja, etc.

Contra-argumentação:
Argumente que se trata de questões diferentes, que o que é invocado nada tem a ver com a proposição. Quem argumenta assim ignora a questão, foge do assunto.


2.3 Apelo ao Povo (argumentum ad populum)

Definição:
Consiste em sustentar uma proposição por ser defendida pela população ou parte dela. Sugere que quanto mais pessoas defendem uma ideia mais verdadeira ou correta ela é. Incluem-se aqui os boatos, o "ouvi falar", o "dizem", o "sabe-se que".

Exemplo:
Dizem que um disco voador caiu em Minas Gerais, e os corpos dos alienígenas estão com as Forças Armadas.

Contra-argumentação:
Os educadores, os professores, as mães têm o argumento: se todos querem se atirar em alto mar, você também quer? O fato de a maioria acreditar em algo não o torna verdadeiro.


2.4 Apelo à Autoridade

Definição:
Consiste em citar uma autoridade (muitas vezes não - qualificada) para sustentar uma opinião.

Exemplo:
Segundo Schopearhauer, filósofo alemão do séc. XIX, "toda verdade passa por três estágios: primeiro, ela é ridicularizada; segundo, sofre violenta oposição; terceiro, ela é aceita como auto-evidente". (De fato, riram-se de Copérnico, Galileu e outros. Mas nem todas as verdades passam por esses três estágios: muitas são aceitas sem o ridículo e a oposição. Por exemplo: Einstein).

Contra-argumentação:
Mostre que a pessoa citada não é autoridade qualificada. Ou que muitas vezes é perigoso aceitar uma opinião porque simplesmente é defendida por uma autoridade. Isso pode nos levar a erro.


2.5 Apelo à Novidade (argumentum ad novitatem)

Definição:
Consiste no erro de afirmar que algo é melhor ou mais correto porque é novo, ou mais novo.

Exemplo:
Saiu a nova geladeira Polo Sul. Com design moderno, arrojado, ela é perfeita para sua família, sintonizada com o futuro.

Contra-argumentação:
Mostre que o progresso ou a inovação tecnológica não implica necessariamente que algo seja melhor.


2.6 Apelo à Antigüidade (argumentum ad antiquitatem)

Definição:
É o erro de afirmar que algo é bom, correto apenas porque é antigo, mais tradicional.

Exemplo:
Essas práticas remontam aos princípios da Era Cristã. Como podem ser questionadas?

Contra-argumentação:
Argumenta que o fato de um grande número de pessoas durante muito tempo ter acreditado que algo é verdadeiro não é motivo para se continuar acreditando.


2.7 Falso Dilema

Definição:
Consiste em apresentar apenas duas opções, quando, na verdade, existem mais.

Exemplos:
- Brasil: ame-o ou deixe-o.
- Você prefere uma mulher cheirando a alho, cebola e frituras ou uma mulher sempre arrumadinha?
- Você não suporta seu marido? Separe-se!
- Quem não está a favor de mim está contra mim.

Contra-argumentação:
Simples. Mostre que há outras opções.


2.8 Falso Axioma

Definição:
Um axioma é uma verdade auto-evidente sobre a qual outros conhecimentos devem se apoiar. Por exemplo: duas quantidades iguais a uma terceira são iguais entre si. Outro exemplo: a educação é a base do progresso. Muitas vezes atribuímos, no entanto, "status" de axioma a muitas sentenças ou máximas que são, na realidade, verdades relativas, verdades aparentes.

Exemplo:
Quem cedo madruga Deus ajuda.

Contra-argumentação:
Mostre que muitas frases de efeito, impactantes, bombásticas, retóricas, muito respeitadas podem ser meras estratégias mediantes as quais alguém tenta convencer, persuadir o ouvinte/leitor em direção a um argumento. No caso dos provérbios, mostre que se contradizem:
- Ruim com ele, pior sem ele X Antes só do que mal acompanhado.
- Depois da tempestade vem a bonança X Uma desgraça nunca vem sozinha.
- Longe dos olhos, perto do coração X O que os olhos não veem o coração não sente.


2.9 Generalização Não - Qualificada (dicto simpliciter)

Definição:
É uma afirmação ou proposição de caráter geral, radical e que, por isso, encerra um juízo falso em face da experiência.

Exemplo:
A prática de esportes é prejudicial à saúde.

Contra-argumentação:
Mostre que é necessário especificar os enunciados. Othon Garcia (Comunicação em Prosa Moderna, FGV, 1986, p. 169) ilustra como se pode especificar a falácia acima, dada como exemplo: A prática indiscriminada de certos esportes violentos é prejudicial à saúde dos jovens subnutridos.


2.10 Generalização Apressada (erro de acidente)

Definição:
Trata-se de tirar uma conclusão com base em dados ou em evidências insuficientes. Dito de outro modo, trata-se de julgar todo um universo com base numa amostragem reduzida.

Exemplos:
- Todo político é corrupto.
- Os padres são pedófilos.
- Os mulçumanos são todos uns fanáticos.

Contra-argumentação:
Argumente que dois professores ruins não significam uma escola ruim; que em ciência é preciso o maior número de dados antes de tirar uma conclusão; que não se pode usar alguns membros do grupo para julgar todo o grupo. Faça ver que se trata, na maioria das vezes, de estereótipo: imagem preconcebida de alguém ou de um grupo. Faça ver também que são fonte de inspiração de muitas piadas racistas, como as piadas de judeus (visto como avarento), de negro (vista como malandro ou pertencente a uma classe inferior), de português (visto no Brasil como sem inteligência), etc. É por isso que essa falácia está intimamente relacionada ao preconceito.


2.11 Ataque à Pessoa (argumentum ad homimem)

Definição:
Consiste em atacar, em desmoralizar a pessoa e não seus argumentos. Pensa-se que, ao se atacar a pessoa, pode-se enfraquecer ou anular sua argumentação.

Exemplo:
- Não deem ouvidos ao que ele diz: ele é um beberrão, bate na mulher e tem amantes.
Observação: Uma variação de "argumentum ad homimem" é o "tu quoque" (tu também): Consiste em atribuir o fato a quem faz a acusação. Por exemplo: se alguém lhe acusa de alguma coisa, diga-lhe "tu também"! Isso, evidentemente, não prova nada.

Contra-argumentação:
Mostre que o caráter da pessoa não tem relação com a proposição defendida por ela. Chamar alguém de corrupto, nazista, comunista, ateu, pedófilo, etc. não prova que suas ideias estejam erradas.


2.12 Bola de Neve (derrapagem, redução ao absurdo reductio ad absurdum)

Definição:
Consiste em tirar de uma proposição uma série de fatos ou consequências que podem ou não ocorrer. É um raciocínio levado indevidamente ao extremo, às últimas consequências.

Exemplos:
- Mãe, cuidado com o Joãozinho. Hoje, na escolinha, ele deu um beijo na testa de Mariazinha. Amanhã, estará beijando o rosto. Depois.... Quando crescer, vai estar agarrando todas as meninas.
- O álcool e uma dieta pobre também são grandes assassinos. Deve o governo regular o que vai à nossa mesa? A perseguição à indústria de fumo pode parecer justa, mas também pode ser o começo do fim da liberdade. (Veja, agosto 2000, p.36)

Contra-argumentação:
Argumente dizendo que as consequências, os fatos, os eventos podem não ocorrer.


2.13 Depois Disso, logo por Causa Disso (post hoc engo propter hoc)

Definição:
É o erro de acreditar que em dois eventos em sequência um seja a causa do outro. No extremo, é uma forma de superstição: eu estava com gravata azul e meu time ganhou; portanto, vou usá-la de novo.

Exemplo:
- O chá de quebra-pedra é bom para cálculos renais. Tomei e dois dias depois expeli a pedra.
Observação: uma variação deste sofisma é o chamado "non sequitur" (não se segue, "nada a ver") em que uma conclusão nada tem a ver com a premissa: Venceremos, pois Deus é bom. (Deus é bom, mas não está necessariamente a seu lado; os inimigos podem dizer a mesma coisa).

Contra-argumentação:
Mostre que correlação não é causação: o fato de que dois eventos aconteçam em sequência não significa que um seja a causa do outro. Diga que pode ter sido apenas uma coincidência.


2.14 Falsa Analogia

Definição:
Consiste em comparar objetos ou situações que não são comparáveis entre si, ou transferir um resultado de uma situação para outra.

Exemplos:
- Minhas provas são sempre com consulta a todo tipo de material. Os advogados não consultam os códigos? Os médicos não consultam seus colegas e livros? Não levam as radiografias para as cirurgias? Os engenheiros, os pedreiros não consultam as plantas? Então?
- Os empregados são como pregos: temos que martelar a cabeça para que cumpram suas funções.
- Tomei mata-cura e fiquei bom. Tome você também.

Contra-argumentação:
Argumente que os dois objetos ou situações diferem de tal modo que a analogia se torna insustentável. Mostre que o que vale para uma situação não vale para outra.


2.15 Mudança do Ônus da Prova

Definição:
Consiste em transferir ao ouvinte o ônus de provar um enunciado, uma afirmação.

Exemplo:
Se você não acredita em Deus, como pode explicar a ordem que há no universo?

Contra-argumentação:
Mostre que o ônus da prova, isto é, a responsabilidade de provar um enunciado cabe a quem faz a afirmação.


2.16 Falácia da Ignorância (argumentum ad ignorantiam)

Definição:
Consiste em concluir que algo é verdadeiro por não ter sido provado que é falso, ou que algo é falso por não ter sido provado que é verdadeiro.

Exemplos:
- Ninguém provou que Deus existe. Logo, Deus não existe.
- Não há evidências de que os discos voadores não estejam visitando a Terra; portanto, eles existem.

Contra-argumentação:
Argumente que algo pode ser verdadeiro ou falso, mesmo que não haja provas.


2.17 Exigência de Perfeição

Definição:
É o erro de reivindicar apenas a solução perfeita para qualquer plano.

Exemplo:
A automação cada vez maior dos elevadores desemprega muitas pessoas. Isso, portanto, é ruim, economicamente desaconselhável.

Contra-argumentação:
Argumente que planos, medidas ou soluções não devem ser vistos como integralmente perfeitos ou prejudiciais. Mostre que podem existir objeções para qualquer medida. Que os desvantagens de um plano são suplantados pelas vantagens.


2.18 Questão Complexa (pergunta capciosa, falácia da interrogação, da pressuposição)

Definição:
Consiste em apresentar duas proposições conectadas como se fossem uma única proposição, pressupondo-se que já se tenha dado uma resposta a uma pergunta anterior.

Exemplos:
- Você já abandonou seus maus hábitos?
- Você já deixou de roubar no mercado onde trabalha?

Contra-argumentação:
Mostre que existem duas proposições e que uma pode ser aceita e outra não.
3. Conclusão

À guisa de conclusão, três convites:
  1. Releia as 34 falácias que se encontram na introdução deste trabalho e classifique-as.
  2. Leia o conto "O amor é uma falácia" (http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/amorfalacia.htm), do autor M. Sulmam. O conto faz parte da coletânea de contos intitulada "As cacinhas cor-de-rosa do capitão" (Porto Alegre, Globo, 1973) O conto põe em evidência, de forma bastante humorística, a necessidade de dominarmos o assunto aqui exposto, para não sermos enganados (e persuadidos) por argumentos falaciosos.
  3. Consulte também o "Guia das Falácias Lógicas do Stephem" (http://www.str.com.br/Scientia/falacias2.htm), de Downes Stephen, Brandom, Manitoba, Canadá, 1995-1998.

Como Encaminhar o Curriculum Vitae - A carta de apresentação



Como Encaminhar o Curriculum Vitae
A carta de apresentação

1. Definição
- É uma carta que apresenta o candidato à vaga numa empresa, encaminhando o currículo. Por isso, é o primeiro documento que uma empresa tem em mãos para avaliar os concorrentes, servindo de instrumento de pré-seleção dos inúmeros currículos.
- É uma carta muito breve cujo conteúdo principal é o resumo das experiências, competências e habilidades de um candidato.
- É uma ferramenta de marketing pessoal tão importante quanto o currículo. Por ter papel determinante no processo seletivo, deve apresentar o perfil do candidato sob o melhor ângulo, a fim de estimular a leitura do currículo e gerar uma entrevista.

2. Principais características
- Deve ser breve: não mais do que três ou quatro parágrafos (ou uma página). A apresentação detalhada do candidato encontra-se no currículo.
- Deve ser persuasiva: não se deve esquecer que a carta que encaminha o currículo é a porta de entrada para conquistar a vaga, por isso deve causar boa impressão, a fim de que gere a leitura/ análise do currículo e uma entrevista.
- Para tanto, o perfil profissional deve ser apresentado sob o melhor ângulo, com diferenciais.
- Deve ser impecável em termos de correção lingüística. É importante ressaltar que, mediante a linguagem, transmitimos não apenas informações, mas também inúmeros outros aspectos, como nossa educação, cultura, instrução, escolaridade, "status" social. Nesse sentido, a linguagem também é um cartão de visita, um cartão de apresentação. Nesse processo de conquistar uma vaga, nada desabona mais do que uma carta de apresentação com erros.

3. Estrutura

O texto da carta de apresentação contém três partes:
a) Introdução (um parágrafo), que pode ser assim:

Estou à procura de nova colação no mercado na área de xxxxxxxxxxxx e acredito que a empresa possa ter interesse por minha experiência e qualificações.

ou

Em resposta ao anúncio publicado no jornal xxxxxxxxxxx, de (data) xxxxxxxxxxxxxxxxxx, referente à vaga de xxxxxxxxxx, venho apresentar minha candidatura, encaminhando, em anexo, meu currículo.

b) Desenvolvimento (um ou dois parágrafos) em que o candidato apresenta muito resumidamente seu perfil diferenciado, mencionando suas qualificações e experiências. Pode mencionar, por exemplo, habilidades valorizadas pela empresa ou pelo mercado, como saber resolver problemas, lidar com pessoas, trabalhar em equipe, cumprir prazos, manter-se atualizado, ser empreendedor, ser capaz de trazer soluções inovadoras, estar constantemente comprometido e motivado, etc.

c) Conclusão em que se menciona a disposição para uma entrevista com o intuito de detalhar informações profissionais. Assim:

Seria um prazer ter a oportunidade de detalhar melhor minhas experiências e competências em entrevista.

ou

Coloco-me, desde já, à disposição para uma entrevista, ocasião em que poderei detalhar melhor minhas experiências e competências.

ou

Envio em anexo meu currículo e coloco-me à disposição para uma entrevista, quando poderei fornecer mais informações sobre minhas experiências e competências.

4. Modelo
À
Nome da Empresa
At.: Sr.(a) xxxxxxxxxxxxxxxx
Ref.: vaga de "webdesigner"

Porto Alegre, xxxxxxxxxxxxxxxxxxx


Prezado Sr.(a):

     Gostaria de apresentar minha candidatura para o cargo de webdesigner, conforme anúncio publicado no jornal xxxxxxxxxxxxxxx, de xxxxxxxx (data), encaminhando em anexo currículo para apreciação.

      Sou formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, no curso de Publicidade e Propaganda (ou "estou em fase de conclusão do curso"). Fui estagiário nessa universidade, no Setor de Web, durante dois anos. Domino as tecnologias HTML, JAVASCRIPT e PHP, bem como os softwares COREL DRAW, HOMESITE, DREAMWEARE e FLASH. O estágio na referida instituição contribuiu de forma expressiva para minha formação, aprimorando aptidões como a de resolver problemas, de trazer soluções inovadoras, de lidar com pessoas, de trabalhos em equipe, de cumprir prazos, dentre outras.

     Tenho a confiança de que apresento as qualificações necessárias para exercer a função de forma adequada e desde já coloco-me à disposição para uma entrevista, objetivando o detalhamento de informações profissionais.

Cordialmente,

Fulano de Tal
- Assinatura -

 Anexo: Curriculum Vitae

Como redigir um texto não revelando o objeto



Como redigir um texto não revelando o objeto

1. Introdução

     Esta técnica foi mencionada quando foram apresentadas fórmulas para iniciar textos. Omitir, no início do texto, o objetivo ou idéia (e só revelá-los adiante) é um artifício original que desperta a curiosidade do leitor. O expediente, no entanto, pode se estender a todo o texto, como demonstramos nesta seção.

     A par de outros ganhos que podem advir da produção de textos dentro deste modelo, é preciso ter presente que essa tarefa, de cunho lúdico e desafiador, se presta, ao lado de outras aqui apresentadas, a desenvolver ou resgatar o gosto pela escrita.
     Foi observado, com frequência, a satisfação do aluno, a auto-estima aumentada, por ter produzido algo novo, criativo, surpreendente. O aluno sente-se mais confiante, pois se reconhece como um ser criativo, com poderes de linguagem.

2.Textos

2.1 Textos-modelos
                                                                            Objeto Estranho
Carlos Drummond de Andrade

     Um objeto estranho ameaça incorporar-se à elegância masculina, segundo informa o colega Zózimo. Seu aparecimento ocorreu na Itália, e sua presença já se faz sentir em outras capitais europeias.
     É a maçaranduba.
     A primeira singularidade da maçaranduba consiste em que ela absolutamente não participa da sorte das demais peças do equipamento humano a que se junta. É que a maçaranduba fica perto do vestuário, sem se ligar a ele. É ciosa de sua independência, ao contrário dos outros elementos que colaboram na apresentação do homem em público. Estes seguem conosco na condição de servos dóceis, ao passo que ela mantém liberdade de movimentos. E exige de nossa parte atenções especiais, sob pena de abandonar-nos à primeira distração. Concorda em fazer-nos companhia, mas sem o compromisso de aturar-nos o dia inteiro. Dir-se-ia, mesmo, que nós é que a acompanhamos no seu ir e vir pretenciosamente pelas ruas.
     A maçaranduba está sempre à mostra, ostensiva e vaidosa. Sua tendência é para assumir a liderança do conjunto e exibir-se em envoluções fantasistas, que exigem certas habilidades do portador. Assim, quando não tem o que fazer (e de ordinário não tem) descreve círculos e volteios que pretendem ser graciosos em sua gratuidade.
     A maçaranduba parece ter mau gênio? Parece, não: tem. Já o demonstrou sempre que algum transeunte lhe despertou antipatia ou lhe recordou episódios menos agradáveis. Pois é. A maçaranduba não é de suportar opiniões contrárias às suas. À falta de melhor argumento, na polêmica, ergue-se inopinadamente, avança como um raio e procura alcançar a parte doutrinária alheia nos pontos mais vulneráveis, desde o lombo até os óculos. Sua agressividade impulsiva costuma levá-la à polícia, quando não se recolhe inerte e indiferente a um canto deixando que seu portador pague a nota dos estragos.
     A maçaranduba é basicamente feita de madeira, às vezes se beneficia de espécies vegetais não compactas, o que lhe permite estocar recursos ofensivos de grande temibilidade. Ao vê-la se aproximar, tome cuidado, pois sua ira não se satisfaz com simples esquimoses.
     A maçaranduba costuma gostar de ornatos, e uma que pertencia a Balzac era cravejada de pedras preciosas...
     A impertinência da maçaranduba, para não dizer arrogância, deve-se talvez ao fato de que em outras eras foi símbolo de poder e, sob formas diversas, esteve ligada à realeza e a seu irmão gêmeo, o absolutismo. Em mãos governamentais, era duplamente terrível: pela contundência material e pela espiritual.
     Ter sido a maçaranduba elemento de garridice feminina, durante a Idade Média até a Renascença, não lhe adoçou o temperamento. Passando a andar só com os homens, nem por isso dispensa maior cortesia às mulheres e, na hora de zangar-se, é incapaz de distinguir is sexos.
     Diga-se em favor da maçaranduba, para que o retrato não fique excessivamente carregado, que algumas espécimes são inclinadas à generosidade, e se comprazem em ajudar pessoas encanecidas ou faltas de visão. Contudo trata-se de exceção.
     A maçaranduba tem um irmão soturno, que paradoxalmente só se anima a passear quando começa a chuva, e sob o aguaceiro se diverte disputando lugar. Muitas vezes este irmão gêmeo imita a mania elegante, no ataque ao próximo.
     Cuidado com a maçaranduba, amigos pacíficos: trata-se de objeto às vezes voador, identificado.


                                                                        Chega, Basta e Fora!
Cyro Silveira Martins

     Os acontecimento que o Brasil viveu nessa quinta-feira mostram que caminhamos para um terreno perigosamente pantanoso.
     As trevas rondam.
     A anarquia ressurge dos bueiros com poder e majestática soberba.
     A autoridade que deveria se impor parece inerte e o Brasil hesita e titubeia diante da vontade de uma minoria hábil, atuante e turbulenta, que consegue utilizar-se com destreza da mídia - impressa, falada e televisionada - e consegue impor sua vontade à imensa maior parte dos cidadãos contribuintes e votantes.
     E, mais, consegue arrastar em sua cantilene de sereia curvilínea os ingênuos e os que ainda têm a consciência em formação.
     Poucos gatos, pingados, mas ardorosos e ousados, que não respeitam leis, regulamentos, regras nem lógica, história, tradição ou costumes.
     Nós, os brasileiros verdadeiramente patriotas, não podemos assistir placidamente ao Brasil tendo seu leme quebrado, perdendo o rumo, submetido pela força das idéias exóticas, totalmente desvinculadas de nossa realidade de povo manemolente. Idéias que em nada dizem respeito à nossa natureza espontânea, à nossa exuberância criativa de nação multifacetada étnica, cultural e geograficamente.
     Esses, que tentam se impor pela força, desprezando a opinião da avassaladora maioria, se opondo à opinião pública manifestada democraticamente, só contribuem para fragilizar o Brasil diante dos outros países.      E para transformar o país numa presa fácil para os predadores estrangeiros. Porque tanto Europa como América Latina só esperam um momento de fraqueza nosso para arremeter e tentar nos colocar de joelhos diante de seus ataques.
     Mais ainda.
     A arrogância desses que se autoconcedem a onisciência de apenas eles, e ninguém mais que eles, saberem o que é bom para o Brasil, esses que se julgam certos ab initio ad infinitum, esses, que sequer se dignam a explicar aos demais o raciocínio anterior a suas atitudes, a arrogância dessa casta, diante da estupefação de milhões de pessoas, prenuncia uma tempestade de efeitos terríveis sobre a vida, o coração e alma de nós, brasileiros e patriotas.
     Não é possível que isso seja levado adiante.
     Não podemos, nós, que estamos vendo o Brasil ameaçado, permanecer calados.
     Há cheiro de 1974 no ar.
     Por isso: chega e basta.
     Fora Zagalo.

                                                                                         ....................

Fábio Abreu dos Santos

     No começo, ela era minha companheira nos momentos mais difíceis. Sempre que eu estava só, magoado com alguma coisa, houvesse brigado com minha esposa, discutido com os colegas do trabalho, me irritado com meus filhos, eu ia à sua procura. Aliás, com o tempo, qualquer motivo era suficiente para que corresse até ela, tal era o prazer que tal encontro me proporcionava. Ela sempre estava lá, de braços abertos, pronta para me receber, sem me fazer perguntas. Conseguia, de forma milagrosa, confortar-me e fazer-me novamente feliz em questão de segundos. Seu brilho me seduzia, sua voz era como música para meus ouvidos. Uma aura emanava em torno dela. Às vezes na sala, às vezes no quarto, com as luzes apagadas, eu era seduzido por ela, de tal forma que respondia, sem dizer não, a todos os seus apelos. Mas hoje, parece que ela já perdeu um pouco daquele brilho, aquela cor que enfeitava sua fronte. Nossa relação amorosa foi, pouco a pouco, se deteriorando. Talvez fosse a idade dela, talvez fosse seu tamanho. Afinal, convenhamos,14 é muito pouco. Resolvi trocá-la por outra, muito mais bonita, maior, um pouco usada, mas nem tanto. Minha família, após descobrir minhas intenções, até deu-me incentivo para realizar a troca. As crianças, agora, não saem da frente dela. Minha mulher é sua fã número um. Sinceramente, não sei como conseguimos viver até hoje sem uma tv de vinte e uma polegadas.

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sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia Internacional da Mulher - Mensagem

Mulheres fracas, fortes.
Não importa.
Mulheres mostram que mesmo através da fragilidade.
São fortes o bastante para erguerem sempre cabeça
Sem desistir, pois sabemos que somos capazes de vencer.

Temos a delicadeza das flores
A força de ser mãe,
O carinho de ser esposa,
Reciprocidade de ser amiga,
A paixão de ser amante,
E o amor por ser mulher!

Somos fêmeas guerreiras, vencedoras,
Somos sempre o tema de um poema
Distribuímos paixão, meiguice, força, carinho, amor.

Somos um pouco de tudo
Calmas, agitadas, lentas!
Vaidosas, charmosas, turbulentas.

Mulheres fortes e lutadoras.
Mulheres conquistadoras
Que amam e querem ser amadas
Elegantes e repletas de inteligência

Com paciência
O mundo soube conquistar.
Mulheres duras, fracas.
Mulheres de todas raças
Mulheres guerreiras
Mulheres sem fronteiras
Mulheres... Mulheres...


(Rozilene P. de Souza)