domingo, 17 de março de 2013

Texto O povo



                                                           O POVO
                                 


Não posso deixar de concordar com tudo o que dizem do povo. É uma posição impopular, eu sei, mas o que fazer? É a hora da verdade. O povo que me perdoe, mas ele merece tudo que se tem dito dele. E muito mais.

            As opiniões recentemente emitidas sobre o povo até foram tolerantes. Disseram, por exemplo, que o povo se comporta mal em grenais. Disseram que o povo é corrupto. Por um natural escrúpulo, não quiseram ir mais longe. Pois eu não tenho escrúpulo.
            O povo se comporta mal em toda a parte, não apenas no futebol. O povo tem péssimas maneiras. O povo se veste mal. Não raro, cheira mal também. O povo faz xixi e cocô em escala industrial. Se não houvesse povo, não teríamos o problema ecológico. O povo não sabe comer. O povo tem um gosto deplorável. O povo é insensível. O povo é vulgar.
            A chamada explosão demográfica é culpa exclusivamente do povo. O povo se reproduz numa proporção verdadeiramente suicida. O povo é promíscuo e sem-vergonha. A superpopulação nos grandes centros se deve ao povo. As lamentáveis favelas que tanto prejudicam nossa paisagem urbana foram inventadas pelo povo, que as mantém contra os preceitos da higiene e da estética.
            Responda, sem meias palavras: haveria os problemas de trânsito se não fosse pelo povo? O povo é um estorvo.
            É notória a incapacidade política do povo. O povo não sabe votar. Quando vota, invariavelmente vota em candidatos populares que, justamente por agradarem ao povo, não podem ser boa coisa.
            O povo é pouco saudável. Há, sabidamente, 95 por cento mais cáries dentárias entre o povo. O índice de morte por má nutrição entre o povo é assustador. O povo não se cuida. Estão sempre sendo atropelados. Isto quando não se matam entre si. O banditismo campeia entre o povo. O povo é ladrão. O povo é viciado. O povo é doido. O povo é imprevisível. O povo é um perigo.
            O povo não tem a mínima cultura. Muitos nem sabem ler ou escrever. O povo não viaja, não se interessa por boa música ou literatura, não vai a museus. O povo não gosta de trabalho criativo, prefere empregos ignóbeis e aviltantes. Isto quando trabalha, pois há os que preferem o ócio contemplativo, embaixo de pontes. Se não fosse o povo nossa economia funcionaria como uma máquina. Todo mundo seria mais feliz sem o povo. O povo é deprimente. O povo deveria  ser eliminado.
                                Luís Fernando Veríssimo

INTERPRETAÇÃO DO TEXTO
Leia o texto e responda às questões que seguem:
1) O que, na sua opinião, o autor pretende com a crítica social feita através deste texto?

2) Sabe-se que popular, diz respeito ao povo. O que então o autor quis dizer com a expressão “É uma posição impopular...”?

3) Por que a autor afirma que a “explosão demográfica é culpa exclusivamente do povo?

4) Você concorda que o povo não sabe votar? Qual, na sua opinião, é o critério que o povo utiliza para escolher seus representantes políticos? Por que isso acontece? 

5) A solução, para o autor, é a eliminação do povo. Na sua opinião, o que mudaria todo esse cenário descrito pelo autor acerca do povo. Dê a sua solução.

6) Que tipo de texto é este? Narrativo ou argumentativo? Por quê?



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Textos e Variações Línguísticas



Categorizar grupos sociais a partir de ideias preconcebidas – os chamados estereótipos – é algo muito comum em nossa sociedade. É sobre esse tema que trata, com humor, o seguinte texto do cronista Luís Fernando Veríssimo.

                                                                           Aí, galera

          “Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. Por exemplo, você pode imaginar um jogador de futebol dizendo “estereotipação”? E, no entanto, por que não?
         -Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera.
          -Minha saudação aos aficionados do clube e aos demais esportistas, aqui presentes ou no recesso dos seus lares.
           -Como é ?
           -Aí, galera.
           -Quais são as instruções do técnico?
           -Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de contenção coordenada, com energia otimizada, na zona de preparação, aumentam as probabilidades de, recuperado o esférico, concatenarmos um contragolpe agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade, valendo-nos da desestruturação momentânea do sistema oposto, surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação.
            -Ahn?
            -É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça.
             -Certo. Você quer dizer mais alguma coisa?
             -Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental, algo banal, talvez mesmo previsível e piegas, a uma pessoa à qual sou ligado por razões, inclusive, genéticas?
             -Pode.
             -Uma saudação para a minha genitora.
             -Como é?
             -Alô, mamãe!
             -Estou vendo que você é um, um...
              -Um jogador que confunde o entrevistador, pois não corresponde à expectativa de que o atleta seja um ser algo primitivo com dificuldade de expressão e assim sabota a estereotipação?
            -Estereoquê?
             -Um chato?
              -Isso.”
                                              Luís Fernando Veríssimo (In: Correio Brasiliense, 13/05/1998)
Assinale a única alternativa correta:

1. O texto retrata duas situações relacionadas que fogem à expectativa do público. São elas:
a. (   ) a saudação do jogador aos fãs do clube, no início da entrevista, e a saudação final dirigida à sua mãe.
b. (   ) a linguagem muito formal do jogador, inadequada à situação da entrevista, e um jogador que fala, com desenvoltura, de modo muito rebuscado.
c. (   ) O uso da expressão “galera”, por parte do entrevistador, e da expressão “progenitora”, por parte do jogador.
d. (   ) o desconhecimento, por parte do entrevistador, da palavra “estereotipação”, e a fala do jogador em “é pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça”.
e. (   ) O fato de os jogadores de futebol serem vítimas de estereotipação e o jogador entrevistado não corrresponder ao estereótipo.

2. O texto mostra uma situação em que a linguagem usada é inadequada ao contexto. Considerando as diferenças entre língua oral e escrita, assinale a opção que representa também uma inadequadação da linguagem usada no contexto apresentado.
a.(   ) “O carro bateu e capotô, mas num deu para  vê direito.” – comentário de um pedestre que assistiu ao acidente, com outro que vai passando.
b.(   ) “E aí, ô meu! Como vai essa força?” – um jovem que fala com um amigo.
c.(   ) “Só um instante, por favor. Eu gostaria de fazer uma observação.”- alguém comenta em uma reunião de trabalho.
d.(   ) “Venho manifestar meu interesse em candidatar-me ao cargo de Secretária Executiva dessa conceituada empresa.”- alguém que escreve uma carta candidatando-se a um emprego.
e.(   ) “Porque se a gente não resolvê as coisas como tem que ser, a gente corre o risco de termos, num futuro próximo, muito pouca comida nos lares brasileiros.” – um professor universitário discursando em um congresso internacional.

3. A expressão “pegá eles sem calça”, no texto, poderia ser substituída, sem comprometimento do sentido, por:
a. (   ) pegá-los na mentira.
b. (   ) pegá-los desprevenidos.
c. (   ) pegá-los em flagrante.
d. (   ) pegá-los rapidamente.
e. (   ) pegá-los momentaneamente.

4. Os trechos abaixo retratam a fala de jovens sobre sua própria linguagem:
  • A gíria é um meio muito legal de se comunicar, é irado falar de um jeito que os professores e o pessoal lá de casa não entendem. (Gabriel, 14 anos).
  • O “tipo assim” é o espaço que a gente usa pra pensar as palavras. (Marco, 15 anos)
  • A gente não fala mais “é uma brasa, mora!”, que era moda nos tempos do meu pai. No lugar disso, falamos outras coisas. (Daniela, 16 anos).
  • Cara, eu também sei falar formalmente, mas não gosto. Não me dirijo ao padre do colégio com um aí, velhinho! (Victor, 17 anos)
A partir da leitura dos trechos, diga se é falsa (F) ou verdadeira (V) cada uma das afirmações:
a. (   ) Na fala de Gabriel, percebe-se que adultos e jovens usam a língua de forma igual.
b. (   ) Segundo Marco, “tipo assim” é uma forma de resumir uma informação.
c. (   ) A fala de Daniela revela que a língua não é um fato social estático, ao contrário, varia ao longo do tempo.
d. (   ) Victor sabe que o uso da língua varia conforme o grau de intimidade entre as pessoas, ou seja, que usar linguagem formal ou informal é questão de adequação à situação.

5. Suponha que um aluno se dirige a um colega de classe nesses termos: “Venho respeitosamente solicitar-lhe se digne emprestar-me seu livro de matemática.” A atitude desse aluno se assemelha à atitude do indivíduo que:
a. (   ) comparece ao baile de gala trajando smoking.
b. (   ) vai à audiência com um juiz trajando short e camiseta.
c. (   ) vai à praia de terno e gravata.
d. (   ) vai ao estádio de futebol de chinelo e bermuda.

6. Leio o texto para responder a questão abaixo.

EU TE AMO
(Tom Jobim e Chico Buarque)

Ah, se já perdemos a noção da hora,
Se juntos já jogamos tudo fora,
Me conta agora como hei de partir…
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios,
Rompi com o mundo, queimei meus navios,
Me diz pra onde é que inda posso ir…
[…]
Se entornastes a nossa sorte pelo chão,
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu…
[…]
Como, se nos amamos como dois pagãos,
Teus seios inda estão nas minhas mãos,
Me explica com que cara eu vou sair…
Não, acho que estás só fazendo de conta,
Te dei meus olhos pra tomares conta,
Agora conta como hei de partir…

Neste texto, em que predomina a linguagem culta e literária, ocorre também a seguinte marca da linguagem coloquial:
a. (   ) emprego de “hei” no lugar de “tenho”
b. (   ) falta de concordância quanto à pessoa nas formas verbais estás, tomares e conta.
c. (   ) emprego de verbos predominantemente na 2ª pessoa do singular.
d. (   ) redundância semântica, pelo emprego repetido da palavra “conta” na última estrofe.
e. (   ) emprego das palavras bagunça e cara.


Gabarito
1. e       2.e        3.b   
4. a. (F)      b. (F)        c. (V)       d. (V)
5. Alternativas “b” e “c”
6. e


Terra, Planeta Água



Escola Dr Jaime Monteiro
Gameleira, ___ de __________de 2013
Aluno(a):__________________________________
Ano: 8º ____
Professora: Márcia Oliveira da Silva

Exercício sobre transitividade verbal

Texto : Terra, planeta água
                  Guilherme Arantes

Água que nasce na fonte
Serena do mundo
E que abre um
Profundo grotão
Água que faz inocente
Riacho e deságua
Na corrente do ribeirão...


Águas escuras dos rios
Que levam
A fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população...


Águas que caem das pedras
No véu das cascatas
Ronco de trovão
E depois dormem tranquilas
No leito dos lagos
No leito dos lagos...


Água dos igarapés
Onde Iara, a mãe d'água
É misteriosa canção
Água que o sol evapora
Pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão...


Gotas de água da chuva
Alegre arco-íris
Sobre a plantação
Gotas de água da chuva
Tão tristes, são lágrimas
Na inundação...


Águas que movem moinhos
São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Pro fundo da terra...


Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água...


Água que nasce na fonte
Serena do mundo
E que abre um
Profundo grotão
Água que faz inocente
Riacho e deságua
Na corrente do ribeirão...


Águas escuras dos rios
Que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população...


Águas que movem moinhos
São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Pro fundo da terra...


Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água...


1. Nessa canção, Guilherme Arantes, descreve o percurso realizado pelas águas.
a. Qual é o verbo que indica o início desse percurso? 
b. Qual verbo indica o seu final?

2. Retire do texto os verbos que indicam ação. Informe o sujeito desses verbos.

3. Aponte o complemento dos verbos seguintes: abre, faz, levam, banham, matam, movem, encharcam e evapora.

4. O sujeito é o termo que estabelece com o verbo uma relação de concordância. Exemplifique a afirmação acima com frases retiradas do texto.

5. Compare os verbos nas frases:
Águas que caem das pedras...; dormem no leito dos lagos;  vai-se pro céu... Água que nasce na fonte...; voltam pro fundo da terra...

a. Qual desse verbos já traz em si a informação a ser dada, isto é, não necessita de outras para lhe completar o sentido?

b. Quais são os verbos que, apesar de  conterem em si a informação a ser dada, são acompanhados de  expressões circunstanciais  indispensáveis à construção do sentido veiculado no contexto?

6. Observe os verbos presentes nas três primeiras estrofes da canção.
a. São verbos significativos ou de ligação?
b. Qual o tipo de predicado presentes nessas estrofes?
c. Considerando que:
Ø   predicado verbal indica a ação realizada pelo sujeito da oração 
Ø   predicado nominal indica características do sujeito, como qualidade e estado
 Responda: por que há esse único tipo de predicado nessas estrofes?

7. Os verbos também  contribuem para expressar estado. Observe o verso abaixo.  Veja que ao suprimir o verbo de ligação  a informação não foi alterada.
 Gotas de água da chuva são lágrimas da inundação. Gotas de água da chuva, lágrimas da inundação.

a. Reescreva a última frase da canção, substituindo a vírgula  por um verbo.                                                    b. Qual verbo você usou para reescrever o último verso da questão?                                                         
c. Como se classifica o predicado da frase reescrita? Por quê?

8. Você concorda com a indicação do autor de que o nome do planeta  poderia ser  Água? Justifique.