quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Funções morfológicas e sintáticas da palavra Que



. Funções da palavra  "que"

Funções morfológicas
A palavra que pode pertencer às seguintes classes gramaticais:

a) Substantivo
Há nisso um quê de mistério.

b) Pronome
- adjetivo interrogativo:
Que livros você leu? (= quais)
A que filme você assistiu ontem? (= qual)

- substantivo interrogativo:
O que viste na Bahia? (= que coisa)
De que elas estavam falando? (= que coisa)

- adjetivo indefinido:
Veja que horas são. (= quantas)

- substantivo indefinido:
Não compreendo por que não estudas. (= que motivo)

- relativo:
Os amigos que me restam são de data recente.

c) Preposição (equivalente à preposição de)
Você tem que comparecer à reunião.
Doença é pior que todas as coisas.

d) Advérbio de intensidade (refere-se a um adjetivo)
Que
triste é a solidão! (=quão)
Que difícil foi o exame! (=quão)

e) Interjeição
Quê! Eles saíram!
Quê! Todos morreram!

f) Partícula expletiva (ou de realce)
Quase que ele morreu.
O último que chegar que feche a porta.

g) Conjunção subordinativa

- Integrante:
É justo que ele seja recompensado.
"Desconfiei de que você armava um plano qualquer."

- Final:
Faço votos que seja feliz.
Gritamos que ele parasse.


- Causal:
"Trevas, caí, que o dia é morto."
"Antes que cases, olha o que fazes, que não é nó que desates."

- Comparativa:
Os homens são mais ponderados que as mulheres.

- Temporal:
"Porém já cinco sóis eram passados que dali nos partíramos."

-Consecutiva:
Estudou tanto, que conseguiu a aprovação.
Tão penetrante foi seu olhar, que todos se calaram.

- Concessiva:
Velho que é, pratica esporte.
Muito que ele come, nunca engorda.
Que tenha estudado, não conseguiu aprovação.

h) Conjunção coordenativa
- Aditiva:
"Dize-me com quem andas, que te direi quem és."
"Maravilha feita de Deus que não de humilde braço."

- Explicativa:
Não corras, que podes morrer.
Não saiam, que vai chover.

- Adversativa:
Façam eles, que não eu.
"O medo guarda a vinha que não o vinheteiro."

- Alternativa:
Uma vez que outra, ele estuda.
Que permitam, que não permitam, irei vê-la.

Funções sintáticas
O pronome que pode desempenhar as seguintes funções sintáticas:

a) Sujeito
Há paixões que dominam os impérios.
"Quero ver do alto o horizonte,
Que foge sempre de mim."

b) Objeto direto
Sofro as penas que eu próprio busquei..
Os livros que compramos são interessantes.

c) Objeto indireto
A pessoa a que me referi, chegou.

d) Predicativo
"Não conheço que fui no que hoje sou."

e) Adjunto adnominal
A que filme você assistiu ontem?
Que horas são?

f) Complemento nominal
O projeto a que sou favorável é este e não aquele.

g) Adjunto adverbial
Esta é a escola em que estudo.

h) Agente da passiva
Encontrou-se a arma por que ela foi ferida

créditos:http://aelison.blogspot.com.br

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Entrevista com Philippe Perrenoud sobre a deocratização do ensino



Entrevista com Philippe Perrenoud sobre a democratização do ensino

Para o sociólogo suíço, o professor precisa de capacitação para se tornar um tradutor do conhecimento e conseguir modificar sempre sua maneira de explicar até que todos os alunos aprendam

                                        Philippe Perrenoud. Foto: Juliet Piper

As mudanças de rumo que ocorreram na educação brasileira na última década não foram fruto do acaso. Elas buscaram responder a um desafio: desenvolver no aluno uma série de competências e prepará-lo para entender e transformar o mundo em que vive. As competências são objeto de estudo do suíço Philippe Perrenoud, cujas ideias sobre prática pedagógica influenciaram as reformas educacionais no Brasil.
Em sua última visita ao país, em julho, para participar de um seminário sobre educação e competitividade econômica realizado em Brasília, Perrenoud questionou a validade do próprio tema do encontro, que considerou "excessivamente ambíguo". Apesar disso, reconheceu ser "inevitável" levar em conta a competitividade de um país em tempos de economia global ao investir na educação. No sistema educacional, ele distingue duas instâncias de competição igualmente prejudiciais. A primeira é a que ocorre dentro de uma escola ou de uma sala de aula. A segunda é a que acontece entre as escolas e que pode levá-las a recusar os chamados "estudantes de risco", em lugar de dar oportunidade a todos. "Em educação, não deve haver perdedores", ele justifica.

Com a mesma ênfase que coloca na importância da universalização do ensino, o especialista fala das novas ambições e perspectivas educacionais.

Por que o desempenho do Brasil e dos países da América Latina em geral no ranking internacional de educação ainda é tão ruim?

PERRENOUD Em uma pesquisa recente a esse respeito, vi que o Brasil ocupava a 37a posição. Mas mesmo a Suíça, que é um país rico e desenvolvido, ficava na 17a. Então, não há motivo para desespero. Existem grandes desigualdades mesmo entre nações muito ricas. Talvez haja tanta distância entre a Finlândia e a Suíça, que são dois países europeus pequenos e ricos, quanto entre a Suíça e o Brasil. Não é apenas uma questão de desenvolvimento, mas um conjunto de fatores complexos. O Brasil enfrenta problemas diversos e, portanto, não me surpreende que a educação brasileira não seja, hoje, ideal. É um desafio extraordinário mobilizar tantos recursos e pessoas. Nenhum governo pode fazer milagres.

A que o senhor atribui o sucesso de suas ideias aqui no Brasil?

PERRENOUD Sei do que estou falando, tento ser concreto e busco não me afastar da realidade prática. Além disso, talvez os problemas enfrentados pela escola sejam muito semelhantes em todos os países, apesar das desigualdades de desenvolvimento e da diferente posição geográfica. Em lugar nenhum a educação é eficaz o bastante. O fracasso escolar e a exclusão são problemas universais, assim como a necessidade de levar em conta as diferenças individuais e de uma pedagogia mais construtiva. Por isso, acho natural que possamos nos reconhecer em trabalhos que vêm de outros continentes.

Os problemas na educação são consequência da crise do mundo atual ou são crônicos?

PERRENOUD Eles mostram uma redefinição das ambições das políticas educacionais. No século 19, a idéia de educação como um direito de todos era revolucionária. Até hoje, no entanto, alguns países conseguiram escolarizar apenas 10% ou 20% de sua população. Já nas nações desenvolvidas, atualmente quase todo mundo vai à escola. Mas, onde todos já sabem ler, escrever e contar, isso já não basta. À medida que o objetivo da escolarização é atingido, ele se desloca. É normal que o sistema esteja sempre em discordância com relação às ambições que se estabelecem na modernidade, na complexidade, na tecnologia.

O peso de novas metas pode desestruturar o sistema educacional?

PERRENOUD Não inventamos novas ambições para provocar o fracasso do sistema. Deve-se reconhecer que o nível mundial de educação jamais esteve tão elevado e as pessoas instruídas jamais foram tão numerosas. Mas, diante das necessidades de uma sociedade cada vez mais complexa, existe um déficit não absoluto, mas relativo às exigências dos tempos modernos. É fundamental compreender isso. A culpa não pode ser atribuída só à escola, mas à sociedade tecnológica, que é multicultural, globalizada e apresenta aos indivíduos desafios enormes. Viver hoje em dia é muito mais complexo do que há 50 anos: exige novos conhecimentos, novas competências.

Há quem diga que muitas pessoas trabalham bem com a cabeça, muitas trabalham bem com as mãos, mas poucas sabem trabalhar com as duas ao mesmo tempo. O que o senhor pensa sobre isso?

PERRENOUD Essa ideia é um estereótipo. Todos nós trabalhamos com a cabeça. É impossível fazer qualquer coisa sem ela. E mesmo em trabalhos intelectuais há muitos aspectos práticos, como escrever, classificar, gerir o tempo. Não existe oposição entre atividade intelectual e manual. Pelo contrário: é necessário reconhecer que em toda tarefa existe uma parte de inteligência, sabedoria, antecipação e raciocínio. Mesmo um lixeiro ou um porteiro, que parecem fazer algo muito simples, estão sempre tomando decisões, avaliando prós e contras.

O Ensino Fundamental deve preparar para a prática?

PERRENOUD Mas que prática? A Educação Básica realmente não prepara para o exercício de uma profissão, mas para a prática da cidadania, da vida social, associativa, sexual, amorosa e familiar. Todas essas vidas são muito importantes, e é possível associar a educação fundamental a elas.

O que o senhor pensa dos ciclos de aprendizagem, que no Brasil são vistos como uma solução de urgência contra a repetência?

PERRENOUD Os ciclos de aprendizagem não são uma meta, mas um meio. Não são uma indicação de modernidade ou uma estrutura complicada por puro prazer; são um instrumento de trabalho. Devem ser o reflexo de uma pedagogia diferente.

Um dos desafios da educação atual é transpor a linguagem científica e tecnológica para a linguagem da escola. Como se capacitar melhor para isso?

PERRENOUD Esse problema não é novo, mas está ganhando importância à medida que a cultura científica se expande. Toda disciplina escolar exige um trabalho de transposição, ou seja, deve tornar-se acessível a um público que não é composto de pesquisadores ou produtores do saber. Dessa forma, toda escola se torna uma imensa empresa de vulgarização, no bom sentido do termo. A formação de professores exige não só que eles dominem o saber mas também que saibam fazer a transposição desse saber. Como explicar frações a alunos de 12 anos? E números negativos a adolescentes de 13? São conceitos muito complexos, que, se forem explicados por alguém que não tem a competência da transposição, ou didática, só serão compreendidos pelos melhores estudantes. Os outros passarão por burros ou preguiçosos. Na verdade, a incapacidade é do educador. Traduzir é a responsabilidade principal do professor. Não basta saber, senão todos nós poderíamos lecionar. É necessário ter a competência específica para ser um tradutor de conhecimento.

Como o professor pode se tornar um bom tradutor de conhecimento?

PERRENOUD Essa competência deveria estar no centro da formação inicial, mas infelizmente isso nem sempre acontece. Muitas vezes, no Ensino Fundamental, basta conhecer a matéria para começar a lecionar. Nesse caso, é necessário rever a formação inicial dos docentes para dar mais ênfase às competências de transposição e de gerenciamento do saber. A habilidade se desenvolve ao longo da vida, à medida que surgem os obstáculos. Alguém que explica frações e percebe que talvez quatro de cada cinco alunos não entenderam absolutamente nada de sua aula deverá tentar na aula seguinte ser mais concreto, achar novos exemplos. Esse processo não deve acabar nunca, pois os estudantes se renovam e há sempre alguns para os quais é necessário encontrar uma linguagem nova. Idealmente, um professor que de início era compreendido por três crianças em uma classe de 30 passará a ser compreendido por seis, depois por nove e finalmente por todas.

Agir na Urgência e Decidir na Incerteza é o título de um de seus livros. Como o professor pode agir diante do imprevisível?

PERRENOUD Quanto mais qualificado for um profissional, maior deverá ser sua capacidade de enfrentar o imprevisível. Isso se aprende, e não é apenas na carreira de professor que é preciso improvisar. Como preparar as pessoas para isso? É necessário trabalhar a dimensão afetiva: a angústia, o medo de improvisar ou a resistência em abandonar uma estratégia habitual que se revela ineficaz. É uma tarefa que exige lutar contra toda espécie de perfeccionismo e que demanda tempo. A experiência ensina o profissional a discernir uma série de fatores. Um professor experiente sabe o que acontece em sua classe, a tal ponto que seus alunos pensam que ele tem olhos nas costas! Ele escuta ruídos, percebe quando começa a agitação e quando a concentração diminui. Quanto maior sua capacidade perceptiva, maior sua habilidade em improvisar.

Philippe Perrenoud, 60 anos, é doutor em sociologia e antropologia e professor da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Genebra. Estudioso da evasão e das desigualdades na escola e especialista em práticas pedagógicas em instituições de ensino, é diretor do Laboratório de Pesquisas sobre a Inovação na Formação e na Educação (Life), também de Genebra.

Material retirado do site revistanovaescola.abril.com

Rubem Alves - O papel do professor

O Papel do Professor


            Provocações

domingo, 18 de agosto de 2013

Indefinites Pronouns



                        Indefinites Pronouns

1. SOME - ALGUM, ALGO, ALGUNS, ALGUMA, ALGUMAS, UM, UNS, UMA, UMAS, UM POUCO DE
* Some e seus compostos são usados em frases afirmativas. Some também pode ser usado em frases interrogativas quando se trata de um oferecimento ou pedido ou quando se espera uma resposta positiva. Este pronome pode ser um pronome adjetivo (indefinite adjective) ou um pronome substantivo (indefinite pronoun).
She was hot and I gave her some water. (Ela estava com calor e eu lhe dei um pouco de água.)
I prefer to forget some things that happened in the past.
(Prefiro esquecer algumas coisas que aconteceram no passado.)
Some exercises are difficult to do. (Alguns exercícios são difíceis de fazer.)
Would you like some tea? (Você gostaria de um pouco de chá?)


2. SOMEBODY/SOMEONE - ALGUÉM
Somebody/Someone is knocking the door. (Alguém está batendo na porta.)
3. SOMETHING - ALGUMA COISA, ALGO
There is something under the bed.
(Há/Tem alguma coisa embaixo da cama.)

I gave her something to drink.
(Eu dei a ela algo para beber.)


4. SOMEWHERE - EM ALGUM LUGAR
I saw your keys somewhere. (Eu vi suas chaves em algum lugar.)
My book should be somewhere in this classroom.
(Meu livro deve estar em algum lugar nesta sala de aula.)
5. SOMEHOW - DE ALGUMA MANEIRA, DE ALGUM JEITO
I must get a job, somehow I will get what I want!
(Eu preciso de emprego. De alguma maneira conseguirei o que quero!)


6. ANY - ALGUM, ALGUNS, ALGUMA, ALGUMAS, NENHUM, NENHUMA, UM, UNS, UMA, UMAS, QUALQUER
*Any é usado em frases interrogativas e negativas. Nas frases afirmativas, any é usado quando: aparecer após a palavra if; significar qualquer; houver palavra de sentido negativo na frase como seldom, never, rarely, without, etc. Este pronome, assim como some, pode ser um pronome adjetivo (indefinite adjective) ou um pronome substantivo (indefinite pronoun).

Do you have any talent for dance? (Você tem algum talento para a dança?)
He didn't have any chance. (Ele não tinha chance alguma.)
If you have any doubt, ask me. (Se você tiver qualquer / alguma dúvida, pergunte-me.)
I don't have any money on me today. (Não tenho dinheiro algum comigo hoje.)
Take any book you need. (Pegue qualquer livro que precisar.)
She rarely has any free weekend.
(Raramente ela tem algum fim de semana livre.)

7. ANYBODY / ANYONE - ALGUÉM, QUALQUER UM, NINGUÉM
There isn't anybody upstairs. (Não há ninguém lá em cima.)
Is there anybody home? (Há alguém em casa?)

8. ANYTHING - ALGUMA COISA, QUALQUER COISA, NADA
I am hungry because I didn't eat anything this morning. (Estou com fome porque não comi coisa alguma / nada hoje de manhã.)
There isn't anything to do in this city. (Não há coisa alguma / nada para fazer nesta cidade.)
He may buy anything he wants. (Ele pode comprar qualquer coisa que quiser.)

9. ANYWHERE - EM ALGUM LUGAR, EM QUALQUER LUGAR
Did you see him anywhere? (Você o viu em algum lugar?)
Your shoes must be anywhere. (Seus sapatos podem estar em qualquer lugar.)



10. ANYWAY - DE ALGUMA MANEIRA, DE QUALQUER JEITO
Please, don't tell me what I have to do, anyway, I will only do what I want. (Por favor, não me diga o que tenho que fazer, de qualquer maneira, farei apenas o que quero.)
I will buy the house anyway. (De qualquer jeito, comprarei a casa.)
11. NO (PRONOME ADJETIVO) - NENHUM, NENHUMA
I have no money in my wallet. (Não tenho dinheiro nenhum na minha carteira.)

12. NONE (PRONOME SUBSTANTIVO) - NENHUM, NENHUMA
- Do you have any poetry book?
- No, I have none.
- Você tem algum livro de poesia?
- Não, não tenho nenhum.

13. NOBODY / NO ONE - NINGUÉM
Nobody/No one knows what our secret is. (Ninguém sabe qual é o nosso segredo.)
Nobody/No one knows him. (Ninguém o conhece.)

14. NOTHING - NADA
I have nothing to say. (Não tenho nada a dizer.)
There was nothing in the fridge. (Não havia nada na geladeira.)

15. NOWHERE - NENHUM LUGAR
She is nowhere in this park. (Ela não está em lugar nenhum deste parque.)



OBSERVAÇÕES:
* A Língua Inglesa não admite dupla negativa nas orações, coisa muito comum e, às vezes, obrigatória em nosso idioma. Enquanto, em Português, falamos:
Não tenho nada a dizer.
na Língua Inglesa se diz:
I have nothing to say.
ou ainda, em Inglês, pode-se dizer:
There isn't anything to do in this city.
o que, literalmente, significa:
Não há coisa alguma para fazer nesta cidade.
Deste modo, concluímos que, na língua Inglesa, há duas maneiras de elaborar orações com pronomes indefinidos, evitando a dupla negativa:
I don't have any money on me today.
(Não tenho dinheiro nenhum comigo hoje.)
ou
I have no money on me today.
(Não tenho dinheiro nenhum comigo hoje.)

pronome relativo ONDE


I know I'll never this way again