domingo, 24 de março de 2013

Leitura e análise dos substantivos

  Circuito Fechado 1

Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina,sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapo. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, bloco de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetor de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras. Cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, chinelos. Vaso, descarga, pia, água, escova, creme dental, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro
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01. "Circuito Fechado" nos conta uma história explorando a característica essencial dos substantivos. Qual é essa característica?  Como ela possibilita que se conte essa história?

02. Qual é a história que o texto nos conta?  Qual é a relação entre ela e o título do texto?

03. Caracterize  o personagem apresentado pelo texto.

04. Não há praticamente substantivos abstratos no texto. Qual a relação que se pode estabelecer entre esse dado e a história contada?

05. Conte um dia típico de sua vida utilizando o mesmo processo empregado em   "Circuito Fechado".

Respostas:

01. É a sua função de nomear os seres e dados da nossa realidade. A história é contada pela enumeração de seres que matém em si um nexo captável pelo leitor. Por meio desse nexo, o leitor constrói a história que está sendo contada.

02. É um dia típico de um homem que em uma empresa. O texto conta esse dia desde o despertar até o adormecer. O circuito é fechado porque se repete invariavelmente a cada dia.

03. Percebe-se que  se trata de um homem que trabalha em um escritório, que possui carro e que é fumante. Trata-se de um  homem solitário, cuja a vida está amarrada a uma rotina angustiante.

04. A história é contada pela enumeração dos objetos com que o personagem do texto entra em contato durante o dia. Daí a ausência de substantivos abstratos, que estariam ligados a dados do mundo psicológico não mencionados explicitamente no texto.

05. Reflexão pessoal do aluno.

Interpretação de texto e estudo dos artigos



Leitura e Análise

Léo
Milton Nascimento e Chico Buarque

Um pé na soleira e um pé na calçada, um pião
Um passo na estrada e um pulo no mato
Um pedaço de pau
Um pé de sapato e um pé de moleque
Léo

Um pé de moleque e um rabo de saia, um serão
As sombras da praia e o sonho na esteira
Uma alucinação
Uma companheira e um filho no mundo
Léo

Um filho no mundo e um mundo virado, um irmão
Um livro, um recado, uma eterna viagem
A mala de mão
A cara, a coragem e um plano de voo
Léo

Um plano de voo e um segredo na boca, um ideal
Um bicho na toca e o perigo por perto
Uma pedra, um punhal
Um olho desperto e um olho vazado
Léo

Um olho vazado e um tempo de guerra, um paiol
Um nome na serra e um nome no muro
A quebrada do sol
Um tiro no escuro e um corpo na lama
Léo

Um nome na lama e um silêncio profundo, um pião
Um filho no mundo e uma atiradeira
Um pedaço de pau
Um pé na soleira e um pé na calçada

01.  Considerando que “Léo” é uma biografia, procure indicar a que momento da vida do biografado corresponde cada uma das partes do texto.

02.  Quais imagens do texto traduzem o idealismo do personagem?

03.  Léo teve um destino trágico? Justifique a partir de imagens retiradas do próprio texto.

04.  Que relação se estabelece entre o destino do pai e o do filho no texto? Que recurso formal é utilizado para estabelecer essa relação?

05.  Como é contada a história de Léo? Qual o papel do artigo indefinido nessa forma de contar uma história?

06.  “Um plano de voo e um segredo na boca, o ideal.” Comente o valor do artigo definido destacado no contexto em que surge.

07.  Conte em um parágrafo a biografia de alguém que você admira. Explore a expressividade do artigo indefinido (e,claro, do artigo definido também) em seu pequeno texto.

Resposta:

01.  Infância: do início até “um pé de moleque”;
adolescência/descoberta do amor: de “ um pé de moleque” até “um filho no mundo”;
busca de um lugar para viver: de “um filho no mundo” até “ um plano de voo”; busca da satisfação de um ideal e início da tragédia pessoal: de “ um plano de voo” até “um olho vazado”;
luta e morte: de  “um olho vazado” até “um corpo na lama”;
continuidade no filho: de “um corpo na lama” até “um pé na calçada”.

02.  “A cara, a coragem e o plano de voo”; “Um plano de voo e um segredo na boca, um ideal”; “Um livro, um recado, uma eterna viagem.
03.  Sim. O texto expõe que ele morreu assassinado por um tiro. As circunstâncias dessa morte nos fazem pensar na época da guerrilha em nosso país ou em conflitos rurais.
04.  O destino do filho é retomar e continuar a vida do pai no ponto em que foi interrompida. O texto indica isso por meio de repetição de imagens inicialmente atribuídas ao pai, logo no início da canção, e agora atribuídas ao filho. Instaura-se, assim, o percurso cíclico das gerações.
05.  A forte predominância do artigo indefinido cria um método de narrar bastante sugestivo: são os dados da vida de Léo, comuns a todos os outros semelhantes, que acabam por formar um conjunto único, pessoal. Assim, das generalidades encadeadas se consegue chegar ao particular.
06.  O artigo definido, nesse caso, determina e particulariza o “ideal”. Pode-se interpretar, inclusive, que o !ideal” seja, justamente, esse “plano de voo” e esse “segredo na boca” anteriormente citados.
07.  Pessoal.

Como surgiu o cartum


Durante os século XVII e XVIII, alguns ingleses desenharam e venderam caricaturas, desenhos nos quais o desenhista deforma ou exagera as principais características daquilo que está sendo reproduzido.

Foi então que Honoré Daumier, um artista francês, começou a fazer cartuns. Ele trabalhou durante muitos anos fazendo desenhos para jornais e revistas da França. Depois de todo esse empenho, ele acabou sendo considerado o "pai do cartum moderno".

A história do cartum tem uma data muito importante: 1841. Nesse ano uma revista inglesa chamada Punch começou a publicar cartuns com regularidade. As pessoas gostaram e a idéia seguiu adiante. Os cartuns começaram, então, a aparecer também em jornais, comentando e criticando os acontecimentos com muita rapidez. Entre 1930 e 1940 foi a vez dos quadrinhos, que começaram a ficar cada vez mais conhecidos e queridos no mundo todo.

Aqui no Brasil, o cartum tornou-se muito popular. Um elemento que contribuiu muito para isso foi a revista Pererê, de Ziraldo, que abordava problemas políticos e sociais de nosso país. Mas ele não foi o único, não. Antes e depois de Ziraldo muitos desenhistas criaram cartuns para comentar situações e nos fazer rir.

Então, aproveite essa grande idéia e dê umas boas risadas.

Estrutura da notícia

Como você já sabe, o ato da escrita tem um objetivo social. Os textos são intencionalmente escritos para públicos determinados. No caso do gênero que estamos estudando, o objetivo é informar ao leitor de um jornal ou de uma revista a respeito de um fato por isso  esses elementos  não podem faltar em uma notícia:
a) O que está acontecendo? (o fato)
b) Com quem? (personagens)
c) Como?
d) Onde?
e) Quando? (tempo)
f) Por quê?/ Para quê?

A notícia apresenta uma estrutura própria, composta de duas partes: o lead e o corpo.
 
Lead é um poucas resumo do fato em o poucas linhas e compreende, normalmente, o primeiro parágrafo da notícia. Contém as informações mais importantes e deve fornecer ao leitor a maior parte das respostas às seis perguntas: o quê, quem, quando , onde, como e por quê. 

Corpo são os demais parágrafos da notícia, nos quais se faz o detalhamento do exposto no lead, por meio da apresentação ao leitor novas informações, em ordem cronológica e de importãncia. 

Charge e Cartum


O Humor é um caminho.” (Ziraldo, 1969) 

“O humor compreende também o mau humor. O mau humor é que não compreende nada.”   
(Millôr Fernandes) 


      Charge e cartum são desenhos humorísticos relativamente pequenos, sintéticos, que costuma ser publicados na imprensa.

     Charge é uma palavra de origem francesa que significa carga, exagero ou mesmo ataque, o que já revela seu caráter agressivo. Ela costuma satirizar um fato ou personagem específica, fazendo usualmente uma crítica de cunho político a respeito de um assunto de conhecimento público.
 
     Já o cartum é um desenho de cunho anedótico, acompanhado ou não de palavras, que trata de temas mais amplos. Costuma representar pessoas genéricas e não personalidades reais ou específicas.
 
     Dizem os estudiosos que o cartum é mais universal e atemporal que a charge e menos vinculado à situação sociopolítica do desenhista.
 
     Portanto, a charge tende a ser mais política e mais localizada. Ela se vincula tematicamente aos fatos mais imediatos e às pessoas importantes em determinadas épocas e locais. Por isso, ela também envelhece muito mais rápido que o cartum, pois o pretexto político e as figuras apresentadas são substituídas por novos a cada dia.
 
     Em síntese: o cartum é uma forma, crítica e bem-homorada, de apresentar fatos do dia-a-dia, sem fazer referência específica às pessoas. No cartum são apresentados tipos representantes de classes sociais, políticos etc. Já a charge é um tipo especial de cartum. ela também apresenta a crítica de forma humorística, mas diferentemente do cartum, permite que se identifique as personagens nela retratadas por meio das características físicas que apresentam. Essas características são quase sempre exageradas.
 
     A compreensão de charges e cartuns exige que tenhamos conhecimento de mundo e, muitas vezes, também exige a leitura de outros textos da mídia, como notícias, editoriais, entrevistas, etc.
 
     Conhecimento de mundo 
  • Adquirido pela experiência do dia a dia, são armazenados na memória em blocos (modelos cognitivos). São eles:
         - frames (conhecimento armazenado em rótulos, sem ordenação entre eles): Carnaval, Natal
         - esquemas (conhecimento armazenado em seqüência temporal ou causal): funcionamento de um aparelho, por exemplo.
         - planos (conhecimento de como agir para atingir um objetivo): vencer uma partida de xadrez.         
         - scripts (conhecimentos sobre modos de agir altamente estereotipados em dada cultura): rituais religiosos; fórmulas de cortesia (“aparece lá em casa”, “não some não”); praxes jurídicas, parlamentares.

  • Também faz parte desse processo conhecer os esquemas textuais, como o conhecimento acerca das tipologias e gêneros textuais. Exemplo: distinguir uma piada de uma receita ou de um conto de fadas.

  • Além do conhecimento adquirido pela experiência, ainda existe o conhecimento dito científico, aprendido nos livros e na escola.                        
(KOCH, I. V. & TRAVAGLIA, L. C. A coerência textual.  São Paulo: Contexto, 2001)
 
Intertextualidade: recurso pelo qual recorremos ao conhecimento prévio de outros textos   
Intertextualidade de forma: repetição de expressões, enunciados ou trechos de outros textos, ou então o estilo de determinado autor ou de determinados tipos de discurso.  
Intertextualidade de conteúdo: os textos de uma determinada época, de uma determinada área de conhecimento, de uma mesma cultura, etc dialogam uns com os outros. A intertextualidade de conteúdo é comum em matérias jornalísticas (mesmo jornal ou jornais diferentes; noticiários de TV, rádio). Também é comum em letras de músicas, assim como a apropriação de provérbios e ditos populares, em nossas conversas ou textos escritos.                   
(KOCH, I. V. & TRAVAGLIA, L. C. A coerência textual.  São Paulo: Contexto, 2001)

      O conhecimento humano é transmitido pela linguagem, que pode ser verbal e não- verbal (sem o uso de palavras). Podemos percebê-lo  em manifestações como a pintura, a dança, a escultura; também em caricaturas, nas charges, nos cartuns. O não-verbal, cada vez mais, compartilha o espaço do verbal não só na mídia, como em todos os setores da comunicação, feita para grandes públicos.
 
     Charge
- relata um fato ocorrido em uma época definida, dentro de um determinado contexto cultural, econômico e social específico e que depende do conhecimento desses fatores para ser entendida. Fora desse contexto ela provavelmente perderá sua força comunicativa, portanto é perecível. Justamente por conta desta característica, a charge tem um papel importantíssimo como registro histórico.                                                                         
-são temporais e a gente só pode vender naquele momento preciso.   
-tem mais afinidade com os temas políticos e podem ter um sentido mais partidário, pode-se pinçar um ângulo diferente entre os partidos, entre os políticos que estão ligados ao poder ou à oposição.   
- texto atraente aos olhos do leitor; afinal,  a imagem é de rápida leitura, transmitindo múltiplas informações de uma só vez.   
- o leitor do texto chárgico tem que estar bem informado acerca do tema abordado, para que possa compreender e captar seu teor crítico. Afinal, ali está focalizada e sintetizada uma certa realidade. E somente os que conhecem essa realidade efetivamente entendem a charge. 

Texto baseado em pesquisa disponível em http://www.filologia.org.br/ixcnlf/5/03.htm    

       
     Cartum
- texto humorístico no qual autor realiza a crítica social, a crítica de costumes, focalizando uma realidade genérica e, por isso, desconhece os limites de tempo que a crítica a personagens, fatos  e acontecimentos políticos impõe.   
- para conseguir o humor em seus textos, muitas vezes o chargista e o cartunista recorrem à caricatura.
(Baseado em texto disponível em:  
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos  

Atividade sobre notícia





Artigo: O Jornal e a Prática Pedagógica: Mecanismos Linguísticos e Sociais