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domingo, 31 de março de 2013

De Camões a Drummond: a era moderna sob o signo do expansionismo

De Camões a Drummond:

a era moderna sob o signo do expansionismo

por Francisco Mateus Conceição[*]
 
“O mundo está quase todo parcelado, e o que dele resta está sendo dividido, conquistado, colonizado. Pense nas estrelas que vemos à noite, esses vastos mundos que jamais poderemos atingir. Eu anexaria os planetas, se pudesse. Penso sempre nisso. Entristece-me vê-los tão claramente, e ao mesmo tempo tão distantes.”
(Cecil Rhodes, empresário britânico, In: HUBERMAN, 1981: 270)
 

Camões Carlos Drummond de AndradeA questão ambiental perpassa toda a literatura brasileira, sob diferentes enfoques. De um lado, as transformações constantes provocadas no planeta a partir da Era Moderna fazem com que a literatura busque na natureza respostas para a sensação de perda que essas transformações provocam. De outro, a necessidade de se afirmar como país e as dificuldades para tanto fazem da natureza ora mãe, ora madrasta. Sob a perspectiva dos séculos XX e XXI, podemos afirmar que a literatura tem espelhado o problema da instrumentalização, em níveis cada vez mais acentuados, dos recursos que o planeta oferece. Tal percepção pode ser lida em “O homem: as viagens”, de Carlos Drummond de Andrade, poesia que, ao tratar da angústia do homem contemporâneo frente ao seu espaço/tempo, o faz sob a perspectiva da Era Moderna como um todo, expondo a repetitiva frustração de um modelo regido por princípios como expansão, apropriação e controle. Para tanto, o poema, ao mesmo tempo em que projeta, ironicamente, o futuro da trajetória humana, retrocede ao passado pela via intertextual, retomando Camões e, por extensão, as navegações portuguesas, o “achamento” do Brasil e as origens da modernidade. Através desse procedimento, Drummond faz dos fundamentos da modernidade o alvo central de sua crítica. Para operacionalizar a análise, faremos a citação integral do poema:
O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua
 
Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
 
Vamos para Marte – ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
 
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
 
Claro – diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto – é isto?
idem
idem
idem.
 
O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.
 
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.
 
Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.  (ANDRADE, 1978: 448-450)

Publicada em 1973, no livro As impurezas do branco, esse poema remete a dois componentes históricos imediatos, os quais são estratégicos para a interpretação do mesmo: a viagem à Lua, em 1969, e o desencadear do movimento ecológico. Este último, conforme Marcos Reigotta (1999:34-35), tem como marco inicial ano de 1968, através de protestos em diversos países. Neste mesmo ano, o Clube de Roma coloca o problema ecológico como pauta central. E a seguir, em 1972, é realizada a Conferência Mundial do Meio Ambiente Humano, conhecida como Conferência de Estocolmo. Na poesia em análise, esses dois fatos parecem atuar como desencadeadores do texto, sendo que o primeiro – a viagem à Lua – comparece de maneira explícita, enquanto o segundo atua como possibilidade interpretativa.
Por tematizar a “viagem”, o referido poema começa com uma alusão direta a Camões. Trata-se do primeiro verso “O homem, bicho da Terra tão pequeno”, que repete as últimas palavras do primeiro canto de Os Lusíadas. Citemos a estrofe final deste:
No mar tanta tormenta e tanto dano
Tantas vezes a morte apercebida
Na terra tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade aborrecida
Onde pode acolher-se um fraco humano
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indigne o céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?(CAMÕES, 1972: 35)

Observe-se a relação explícita entre “Contra um bicho da terra tão pequeno?” (Camões) e “O homem, bicho da Terra tão pequeno” (Drummond). Para além dessa relação literal, podemos observar que o 4º verso da estrofe camoniana (“Tanta necessidade aborrecida”) atua como mote para a descrição do desencanto do homem drummondiano frente a todas as suas conquistas. Este homem “chateia-se na terra” (1ª estrofe, 2º verso), “chateia-se na Lua” (2ª estrofe, 2º verso), julga Marte um “lugar quadrado” (4ª estrofe, 1º verso)”, “idem” com relação a Vênus (5ª estrofe, versos finais), irá “repetir a fossa” em Júpiter (6ª estrofe, 3º verso) e, ao chegar, finalmente, ao Sol,  exclamará “mas que chato é o Sol”(7ª estrofe, 8º verso). Ainda, para sustentar o vínculo entre os dois autores, salientemos que, no final da terceira estrofe do texto brasileiro, a expressão “com engenho e arte” remete ao final da 2ª estrofe de Camões, “Cantando espalharei por toda a parte/ se a tanto me ajudar o engenho e arte”. Neste caso, até a parceria rítmica (parte/arte) é mantida, tendo em vista o 2º verso da 4ª estrofe de Drummond, “Vamos a outra parte?”[†].
Qual é, porém, a mediação que há entre um texto e outro? Consideremos, inicialmente, o ponto do texto em análise: “O homem, bicho da Terra, tão pequeno”. Em primeiro lugar, cabe observar o detalhe da maiúscula em “Terra” (Drummond) a diferenciar-se da designação minúscula feita por Camões. Note-se que, em outros momentos do texto, quando se refere a planeta, o autor português faz uso da maiúscula. Ocorre que, ao adjetivar o homem como um bicho da terra, Camões não o faz no sentido planetário do termo. A expressão guarda, ainda, uma conotação bíblica, remetendo ao barro original, sendo também um designativo da infinita pequeneza e limitação humanas. Além disso, o espaço restrito da natureza humana opõe-se ao céu e ao universo, mas também se opõe ao mar, para onde se lança através das longas navegações. A Terra (planeta) ainda não fora conquistada, não sendo o espaço familiar do ser humano, como no tempo de Drummond. O tema camoniano inscreve-se nesse processo de conquista e a pequenez humana remete ao quanto de errante, equivocado e injusto esse processo representou.
Para o homem camoniano, a geografia desconhecida assusta. E a grandeza do universo assume dimensão divina, tendo, a conquista desse universo, o caráter de posse humana sobre o espaço mitológico. De outro lado, o que se anuncia como humanização do espaço atua, em realidade, como a europeização do mesmo. A empresa portuguesa, encimada pela cruz cristã, viabiliza-se, do ponto de vista do conhecimento, através da ciência da escola de Sagres, a qual, por sua vez, está articulada com o desenvolvimento científico-tecnológico que povoa a Europa nesse momento. Inaugura-se a Era Moderna, durante a qual o planeta rapidamente se tornará terra-a-terra, caravelas e homens cruzarão continentes, povos serão dizimados e outros transmigrados. Impérios sucederão a impérios, e a natureza será cada vez mais estudada, conhecida, dominada e transformada para dar sustentação a esse modelo de sociedade. Cabe considerar, neste sentido, que o que move essa empresa não é somente sede de conhecimento ou aventura, o lado belo das navegações, mas, principalmente, a voracidade por expansão das economias capitalistas nascentes. Retomemos Leo Huberman:
As descobertas iniciaram um período de expansão sem par, em toda a vida econômica da Europa ocidental. A expansão dos mercados constituiu sempre um dos incentivos mais fortes à atividade econômica. A expansão dos mercados, nessa época, foi maior do que nunca. Novas regiões com que comerciar, novos mercados para os produtos de todos os países, novas mercadorias a trazer de volta – tudo apresentava um caráter de contaminação e estímulo e anunciou um período de intensa atividade comercial, de descobertas posteriores, exploração e expansão. (HUBERMAN, 1981: 99)
Povos, territórios, ciência, tudo é vertido pela ótica empresarial. E este modelo, em que pese as suas múltiplas metamorfoses, mantém-se fundamentalmente o mesmo até hoje, possibilitando dizermos que a degradação do planeta está diretamente ligada ao desenvolvimento desse paradigma moderno, que faz da Terra “um lugar de muita miséria e pouca diversão”. A perpetuação do modelo está expressa na poesia de Drummond, que recupera, da épica camoniana, o ritual da conquista de territórios e o transpõe para a narrativa de antecipação em que se constitui sua poesia. Assim, os passos do homem contemporâneo são ainda os mesmos do homem do século XVI. Apesar, é claro, “de termos feito tudo, tudo o que fizemos...”, expressão que furtamos a Belchior.  Tal identidade aparece evocada no próprio título, pela referência às viagens, com a diferença que, em Drummond, o encanto ilusório das mesmas é exposto ao olhar corrosivo e impiedoso do eu-poético. Da voz deste, podemos interpretar que o homem viaja em busca de sua completude, mas que, enganosamente, foge de si próprio. O poema inicia com a definição do homem como um “bicho da Terra”, o que implica dizer que esta é constituidora de sua identidade. Ao mesmo tempo, essa expressão, por estar colocada no 1º verso, parece ser desencadeadora da viagem que se relatará no restante do poema. Lendo assim, podemos afirmar que há uma relação de causalidade entre o primeiro verso e o segundo. Porque é um bicho da terra, o homem chateia-se nela. Acossado por sua condição de bicho, ele empreende a viagem espacial, buscando desesperadamente fugir de sua face natural. Ao negá-la, porém, tenta o impossível, que é afastar-se de si próprio. A face negada o persegue e, por isso, o que se vê é que todos os lugares tocados pelo homem adquirem, ironicamente, a fisionomia dele, tornando-se, na palavra do poema, “humanizados”, fazendo com que a novidade perca o encanto. O novo revela-se tediosamente igual ao velho, impulsionando o ser humano para novos, repetitivos e insaciáveis deslocamentos. A descrição dessa anti-epopéía é feita de maneira sintética e rebaixada. As novas conquistas, que não transcendem à ilusão de superfície, já não possuem nenhum poder transformador e também não expressam um esforço de superação humana. Por isso a viagem espacial e inter-galáctica cabe no espaço curto do poema. E, desta forma, a velocidade e a objetividade do mesmo é o equivalente formal destes adjetivos da modernidade, que, assim, está representada, também, no ritmo da poesia.
Por outro lado, o final da viagem exterior e o anúncio da necessidade de o homem viajar para dentro de si acarretam uma mudança de ritmo na poesia, que adquire um ritmo lento na estrofe final. Se antes predominava o uso do tempo verbal no presente do indicativo (experimenta; coloniza; civiliza; humaniza), o que configura rima grave ou feminina (de som mais leve), na parte final predominam os versos no futuro do presente (estará) e no infinitivo (pôr; experimentar; colonizar; civilizar; humanizar), implicando rimas agudas ou masculinas (de som mais intenso), além da expansão final através da vibrante “r”. A isto, associam-se: a partição de palavras (col-onizar; con-viver); a adjetivação (“a dificílima dangerosíssima viagem”; “em suas próprias inexploradas entranhas”; “a perene, insuspeitada alegria”); a introdução de certa opacidade semântica pelo uso aportuguesado do inglês (“dangerosíssima”); e a pausa do parêntese interrogativo em “(estará equipado?)”.
A quebra de ritmo advém da quebra de direção. A viagem exterior é linear porque pré-determinada. Para ela, os itinerários já estão definidos, bastando constituir-se a infra-estrutura para percorrê-lo. Há uma lógica e um conhecimento acumulado que apontam para a sua realização. Não há o espanto do conhecimento inusitado, apenas o espetáculo banalizado da informação, como se evidencia na penúltima estrofe, quando se faz referência à televisão em “ou dá uma volta/ só para tever?”(3º e 4º versos) e ao espetáculo, quando adjetiva o Sol como “falso touro/ espanhol domado”(8º e 9º versos). Já a viagem interior implica outra lógica e conhecimento. É por isso que o conceito de “descoberta”, tão familiar às viagens dos séculos XV e XVI, só é evocado ao final do poema (“descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas”). Da mesma maneira, a idéia de perigo e dificuldade também é evocada nesse momento do texto (“a dificílima dangerosíssima viagem”), fazendo eco ao canto camoniano (“Em perigos e guerras esforçados / mais do que prometia a força humana”, Canto I, 1ª estrofe, versos 5 e 6). De outra parte, a repetição, em relação à viagem interior, do ritual precedente, instaura, no texto poético, uma desterritorialização da linguagem, subvertendo e potencializando seu sentido. A “colonização” e a “civilização” do homem perdem, neste momento, o sentido de posse de uma população sobre outra, significando, antes, o domínio sobre o impulso destrutivo da humanidade. Eros suplanta Tânatos, aplacando a inquietude humana e instaurando, por isso mesmo, uma satisfação substancial, perene.
A última palavra do poema, o verbo “con-viver”, remete à conquista da harmonia nas relações entre os seres humanos e, parece-nos, com o ambiente natural. A alegria humana é possibilitada por sociedades mais fraternas, solidárias e sócio- ambientalmente justas. Ao nomear diversos corpos celestes e, ao mesmo tempo, a interferência negativa do ser humano em relação aos mesmos, Drummond tematiza o problema ambiental. Nessa nova proposta de civilização, o paradigma sujeito-objeto terá que ser substituído por um paradigma sujeito-sujeito. Tanto o homem quanto o ambiente como um todo não poderão ser aleijados de seus significados, que passam a ser imprescindíveis para a sobrevivência e o equilíbrio do mundo. Sob esse novo prisma, o homem pode reconciliar-se com a expressão “bicho da Terra”, que evoca sensibilidade e (é preciso dizer?) realismo científico. “Pequeno”, por sua vez, já não significa “reles” ou “inferior”, remetendo a um novo conceito de civilização, que pressupõe as limitações humanas e a necessidade de enfrentá-las pela via da complexidade, da multiplicidade e da relatividade dos saberes.
Acerca da dificuldade dessa viagem, parecem-nos bastante ilustrativas as reflexões de MORIN e KERN sobre o que chamam de “possível impossível”:
É possível hoje, técnica e materialmente, reduzir as desigualdades, alimentar os famintos, distribuir os recursos, atenuar o crescimento demográfico, diminuir as degradações ecológicas, mudar o trabalho, criar diversas altas instâncias planetárias de regulação e de proteção, desenvolver a ONU como verdadeira Sociedade das nações, civilizar a Terra. É racionalmente possível construir a casa comum, arrumar o jardim comum. (...) A união planetária é a exigência racional mínima para um mundo estreitado e interdependente, dissemos. Mas essa união possível parece impossível por necessitar muitas transformações nas estruturas mentais, sociais, econômicas, nacionais... (...) Assim, o possível é impossível e vivemos num mundo impossível em que é impossível atingir a solução possível. (MORIN e KERN, 200: 137)
No entanto, a impossibilidade do possível tem, segundo os autores, a sua contraposição. Como a realidade não é completamente diagnosticada, há, para além do mundo visível e imediato, um espaço de possibilidades não imaginadas. Há o que  denominam de “princípio da incerteza da realidade” (Idem: 140), de acordo com o qual o que hoje se mostra impossível pode ser ou se tornar possível.
A incerteza do espírito e a incerteza do real oferecem ao mesmo tempo risco e oportunidade. A insuficiência do realismo imediato abre a porta ao mais além do imediato. O problema é ser, não realista no sentido trivial (adaptar-se ao imediato) ou irrealista no sentido trivial (subtrair-se às coerções da realidade), mas realista no sentido complexo (compreender a incerteza do real, saber que há possível ainda invisível no real), o que parece com freqüência irrealista.  (Idem: 139)
O poema exorta o ser humano à autotransformação ao mesmo tempo em que, por analogia, sinaliza para as dificuldades da mesma e pergunta-se sobre as possibilidades reais de realizar-se. A perspectiva utópica da última estrofe torna-se cada vez mais urgente, conforme nos indicam as recentes informações sobre a saúde do Planeta. E certamente falta muito para nos equiparmos.
 
Bibliografia
ANDRADE, Carlos Drummond. Nova reunião: 19 livros de poesia – 3ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978.
CAMÕES, Luís de. Os lusíadas. Lisboa: Gris, 1972.
HOLANDA, Sergio Buarque. Visão do paraíso: os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil.  São Paulo: Brasiliense; Publifolha, 2000.
HUBERMAN, Leo. História da riqueza do homem. Trad. Waltensir Dutra. 17ª ed. São Paulo: Zahar Editores, 1981.
MORIN, Edgar/ KERN, Anne Brigitte. Terra-Pátria. Trad. Paulo Azevedo Neves da Silva. Porto Alegre: Sulina, 2000.
REIGOTA, Marcos. A floresta e a escola: por uma educação ambiental pós-moderna. 2ª ed. São Paulo: Cortez Editora, 1999.
 
[*] Professor na UNIJUÍ (Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul), Mestre em Literatura Brasileira (UFRGS).
[†]Referente a essa relação intertextual, veja-se a leitura de Gilberto Mendonça Teles: “Noutro poema, ‘O homem; as viagens’, publicado no Correio da Manhã e depois na ‘Seleta em prosa e verso’, Drummond fala em ‘bicho da terra’ e em ‘engenho e arte’. A segunda expressão, que aparece três vezes em Os Lusíadas (I, 2; VIII, 89; X, 19) e não sei quantas vezes nas Rimas, é por demais conhecida, e popularizada. A primeira, também mais ou menos conhecida, encontra-se na estrofe 106 do canto I (‘Contra um bicho da terra tão pequeno’) mas Camões a repete na Canção 5”, em que se lê: ‘Contra um corpo terreno,/Bicho da terra vil e tão pequeno’. Drummond teria recorrido à lírica ou à épica? (...) Como o poema trata de uma expedição a Marte, (...) é fácil perceber que tenha recorrido à expressão que se encontra na épica, aliás ali justificada pelo ‘engenho e arte’, muito mais conhecido através de Os Lusíadas do que nas suas variações líricas.” (TELES, Gilberto Mendonça. Camões e a poesia brasileira. Rio de Janeiro: MEC/UFF-FCRB: 1973, p.213)

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