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terça-feira, 2 de abril de 2013

Importância dos conectivos na produção textual



A coesão de um texto depende muito da relação entre as orações que foram os períodos e os parágrafos. Os períodos compostos precisam ser relacionados por meio de conectivos adequados, se não quisermos torná-los incompreensíveis.

Para cada tipo de relação que se pretende estabelecer entre duas orações, existe uma conjunção que se adapta perfeitamente a ela. Por exemplo, a conjunção MAS só deve ser usada para estabelecer uma relação de oposição entre dois enunciados. Porém, se houver um relação de contradição ou ideia de concessão, a conjunção deverá ser outra: EMBORA. Se não for assim, o enunciado ficará sem nexo. Observe um


                           Caso de escolha inadequada da conjunção:

"EMBORA O BRASIL SEJA UM PAÍS DE GRANDES RECURSOS NATURAIS, TENHO CERTEZA DE QUE RESOLVEREMOS O PROBLEMA DA FOME"


Veja que não existe a relação de oposição ou a idéia de concessão que justificaria a conjunção EMBORA. Como a relação é de causa-efeito, deveria ter sido usada uma conjunção causal:

COMO O BRASIL É UM PAÍS DE GRANDES RECURSOS, TENHO CERTEZA DE QUE RESOLVEREMOS O PROBLEMA DA FOME.

Para que problemas desse tipo não aconteçam em suas redações, acostume-se a relê-las, observando se suas palavras, orações e períodos estão adequadamente relacionados.

(Extraído do livro: Escrevendo Melhor, 8ª série, Dileta Delmanto, 1995, Editora Ática.)

Texto:               Um argumento cínico

(1)Certamente nunca terá faltado aos sonegadores de todos os tempos e lugares o confortável pretexto de que o seu dinheiro não deve ir parar nas mãos de administradores incompetentes e desonestos. (2) Como pretexto, as invocação é insuperável e tem mesmo a cor e os traços do mais acendrado civismo. (3) Como argumento, no entanto, é cínica e improcedente. (4) Cínica porque a sonegação, que nesse caso se pratica não é compensada por qualquer sacrifício ou contribuição que atenda à necessidade de recursos imanente a todos os erários, sejam eles bem ou mal administrados. (5) Ora, sem recursos obtidos da comunidade não há policiamento, não há transportes, não há escolas ou hospitais. (6) E sem serviços públicos essenciais, não há Estado e não pode haver sociedade política. (7) Improcedente porque a sonegação, longe de fazer melhores os maus governos, estimula-os à prepotência e ao arbítrio, além de agravar a carga tributária dos que não querem e dos que, mesmo querendo, não têm como dela fugir - os que vivem de salário, por exemplo. (8) Antes, é preciso pagar, até mesmo para que não faltem legitimidade e força moral às denúncias de malversação. (9) É muito cômodo, mas não deixa de ser, no fundo, uma hipocrisia, reclamar contra o mau uso dos dinheiros públicos para cuja formação não tenhamos colaborado. (10) Ou não tenhamos colaborado na proporção da nossa renda.

                                                                                    VILLELA, João Baptista. Veja, 25 set. 1985.



Os períodos estão numerados.

Comentários:

1º período: o autor começa a desmontar o argumento dos sonegadores através da expressão “confortável pretexto”.

2º período: o autor admite como pretexto a justificativa dos sonegadores.

3º período: o conectivo “no entanto” introduz uma argumentação contrária, dizendo que a justificativa é cínica e improcedente.

4º período: através do conectivo “porque” ele diz a causa pela qual considera cínico o argumento dos sonegadores.

5º período: o conectivo “ora” dá início a uma argumentação contrária à idéia de que o Estado possa sobreviver sem arrecadar impostos e sem se prover de recursos.

6º período - o conectivo “e” introduz um segmento que adiciona um argumento ao que se afirmou no período anterior.

7º período - depois de demonstrar que o argumento dos sonegadores é cínico, o autor passa a demonstrar que é também improcedente, o que já foi afirmado no terceiro período. É usado o conectivo “porque” para isso. Mais adiante o conectivo “além de” introduz um argumento a mais a favor da improcedência da sonegação.

8º período - o autor usa dois conectivos: “antes” e “até mesmo” que reforçam sua argumentação.

9 º parágrafo - o conectivo “mas” estabelece a contradição das duas argumentações (dos sonegadores e do autor).

10º período - o conectivo “ou” inicia uma passagem que contém uma alternativa que caracteriza ainda a atitude hipócrita dos sonegadores.

                   (in Para Entender o Texto - Leitura e Redação - Platão & Fiorin, Editora Ática, 1995)

CRÉDITOS: http://ludovicoportugues.blogspot.com.br

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