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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Exercício sobre referências dêiticas




O PODER DE UM TELEFONEMA
     O cara liga pra casa numa tarde para saber o que a esposa vai fazer para o jantar.
     - Alô? - diz uma vozinha de criança.
     - Oi, querida, é o papai. Mamãe está perto do telefone?
     - Não, papai. Ela está lá em cima no quarto com o tio Chico.
     Após alguns segundos, o cara diz:
    - Mas querida, você não tem um tio chamado Chico!!!
    - Sim, eu tenho! E ele está lá em cima no quarto com a mamãe.
    - Tá bom, então quero que você faça o seguinte: suba correndo as escadas, bata na porta do quarto e grite para a mamãe e para o tio Chico que meu carro acabou de parar na frente de casa.
    - Tá legal, papai. Alguns minutos depois, volta a menina:
    - Eu fiz o que você disse, papai.
   - E o que aconteceu?
   - Bem, a mamãe pulou da cama pelada e começou a correr pelo quarto gritando, tropeçou no tapete e caiu pela janela da frente, e agora ela está morta...
    - Oh, meu Deus!!! E o tio Chico?
    - Ele pulou da cama pelado também, estava muito assustado, e pulou pela janela do fundo para dentro da piscina, mas ele deve ter esquecido que você esvaziou a piscina na semana passada para limpar, daí ele bateu a cabeça no fundo dela, e agora está lá, morto também...
    Uma longa pausa e o cara diz:
    - Piscina??? Por acaso o telefone dai é 3555-0739???
   - Não!
   - Desculpe, foi engano!!!

Questões:
a) No texto acima, as expressões papai, mamãe e querida foram interpretadas equivocadamente, gerando um enorme mal- entendido. Tudo aconteceu a partir de uma conversa telefônica entre um homem e uma criança. Explique quais são os referentes dessas expressões, considerando a fala da criança e a fala do homem.

b) Marque a opção correta.
O equívoco gerado no texto acima pode ser analisado:
(   ) sob a ótica da dêixis: fenômeno que ancora a produção linguística dos falantes aos contextos situacionais.
(   ) na perspectiva da anáfora, já que os referentes poderiam ser recuperados durante a conversa entre o “pai” e a “filha”.




Conto erótico nº 1
-Assim ?
-É. Assim.
-Mais depressa ?
-Não. Assim está bem. Um pouco mais para...
-Assim ?
-Não, espere.
-Você disse que...
-Para o lado. Para o lado!
-Querido...
-Estava bem mas você...
-Eu sei. Vamos recomeçar. Diga quando estiver bem.
-Estava perfeito e você...
-Desculpe.
-Você se descontrolou e perdeu o...
-Eu já pedi desculpa !
-Está bem. Vamos tentar outra vez. Agora.
-Assim ?
-Um pouco mais pra cima.
-Aqui ?
-Quase. Está quase !
-Me diga como você quer. Oh, querido...
-Um pouco mais para baixo.
-Sim.
-Agora para o lado. Rápido !
-Amor, eu...
-Para cima ! Um pouquinho...
-Assim ?
-Ai ! Ai !
-Está bom ?
-Sim. Oh, sim. Oh yes, sim.
-Pronto.
-Não ! Continue.
-Puxa, mas você...
-Olha aí. Agora você...
-Deixa ver...
-Não, não. Mais para cima.
-Aqui ?
-Mais. Agora para o lado.
-Assim ?
-Para a esquerda. O lado esquerdo !
-Aqui ?
-Isso ! Agora coça.
                                                                                                              Luís Fernando Veríssimo.

Atividade
No texto acima, Veríssimo opera com dois contextos situacionais diferentes. Cada um desses contextos leva a uma determinada produção de sentido. Responda:

a) Durante quase toda a leitura somos orientados para a construção de uma determinado cenário no qual dois personagens vivem uma situação. Qual é ela? Ilustre sua resposta com "pistas" fornecidas pelo texto.

b) No final do texto, outro cenário emerge nos direcionando a outra interpretação. Em que momento do texto isso ocorre? Qual era a real situação vivenciada pelos personagens?

c) Que efeito essa leitura produz no leitor?
 

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